Soluções com toque sergipano

Uma parceria entre Petrobras, o Sebrae e empresas e universidades de Sergipe deu origem a 11 inovações em produtos, serviços e negócios para a indústria de óleo e gás. As soluções, que envolvem desde serviços de perfilagem de poços a detectores de gás para monitoração de reservatórios. Já estão no mercado, sendo utilizadas tanto pela Petrobras quanto por outras petroleiras.

As inovações foram desenvolvidas por meio do programa “Ação de DTI: desenvolvimento de tecnologia e inovação nas pequenas e médias empresas de petróleo e gás”, iniciado em 2007, no âmbito do convênio Petrobras-Sebrae para o estado. O programa aproxima técnicos da Petrobras, empresários e pesquisadores acadêmicos na identificação de demandas da petroleira e no suporte ao processo de inovação.

Além do fato de serem tecnologias nacionais, viabilizando ganhos de conteúdo local nos projetos de E&P, os produtos e serviços desenvolvidos têm como vantagens o menor custo e a customização. “As pequenas empresas de base tecnológica têm maior flexibilidade na hora de personalizar soluções para o cliente”, destaca o engenheiro na Unidade Operacional da Bacia de Sergipe Alagoas(UO-SE-AL) da Petrobras e gestor do convênio entre a companhia e o Sebrae no estado, Aládio Antônio de Souza.

Um exemplo é o detector de gás desenvolvido pela Multsoluções. Feito sob medida para geólogos da Petrobras, o equipamento – que visa identificar, quantificar e monitorar os gases existentes nos fluidos (lama) de perfuração – é capaz de detectar gás leve, médio e pesado, do isopropano ao butano. “No mercado, a ampla maioria dos equipamentos detecta apenas gás leve”, conta o diretor Comercial da empresa, Jorge Bêda. A solução da empresa é utilizada pela Petrobras em suas unidades operacionais do Amazonas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia.

Já a EAUT desenvolveu uma série de painéis elétricos. Alguns deles são tão específicos que uma grande multinacional na área recomendou à petroleira que adquirisse a solução da empresa para uma determinada situação. Por isso a companhia possui painéis operando em diversas unidades da Petrobras, como a UPGN de Aracaju, além de instalações da Transpetro, entre outras.


sigmarhoh do brasil ltdaAvaliação de poços

Outro caso significativo é o da sigmarhoh, que desenvolveu vedações especiais para bombas alternativas de perfuração. Em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), a empresa inovou com produtos que substituíram componentes importados com melhorias na qualidade, na durabilidade e no preço do material. A companhia, que tem como um de seus diretores o ex-funcionário da Schlumberger Márcio Lindenberg de Medeiros, foi ainda responsável por inovações na área de avaliação de poços, dando origem à primeira empresa brasileira no segmento, a Sigmarhoh Well Testing Services.

Além de prestar serviços à Petrobras e outras grandes petroleiras, a nova empresa têm se voltado para um nicho de mercado constituído por pequenas e médias operadoras de campos marginais onshore. Entre seus clientes estão a Silver Marlin, Alvorada petróleo, Grantierra, Imetame, Petra Energia e UTC Engenharia.

Uma das soluções da Sigmarhoh consiste em uma miniestação de produção antecipada. Composta por um conjunto de vasos separadores, tanques com medição fiscal, plataformas de transferência e embarque de petróleo e um queimador de gás, a estação permite à operadora iniciar a produção e a venda do hidrocarboneto em apenas uma semana. Com isso, a petroleira consegue parar o serviço prestado e se capitalizar para bancar a estação definitiva.

A tecnologia já foi aplicada em diversos campos terrestres no país, como um operado pela Grantierra em Pojuca, Bahia. Segundo Sandro Cesar Tojal Nunes, sócio da empresa, os serviços chegam a custar 70% menos que o cobrado na indústria.

Nunes explica que grandes prestadores de serviço na área costuma replicar soluções offshore para campos terrestres. “isso praticamente inviabiliza a contratação de avaliação de poços por operadoras de campos marginais no Brasil”, ressalta.

Expansão

Além de Sergipe, o projeto Ação de DTI teve pilotos no Rio de Janeiro e na Bahia. Nesses estados, porém, a iniciativa ainda está em fase incipiente, com a realização de workshops para identificação das demandas da Petrobras.

A expectativa é que mais estados comecem a replicar o modelo nos próximos anos. Entre eles está o Espírito Santo.

Fonte: Brasil Energia Óleo & Gás