Na Rio Oil & Gas, Petrobras diz que campo de Lula já produz o mesmo que Colômbia

O gerente geral de gestão de contratos de produção da Petrobras, Daniel Pedroso, afirmou nesta quarta-feira, na Rio Oil & Gas, que a parceria formada há 18 anos para o desenvolvimento do bloco BM-S-11, na Bacia de Santos, onde está o campo de Lula, foi fundamental para o desenvolvimento do que hoje representa a maior produção em área ultra profunda do mundo.

“Tínhamos uma área classificada como de extremo risco, com sísmica questionável, custo de desenvolvimento inviável. As três empresas se reuniram e a redução de risco foi preponderante naquele momento. A atividade em parceria tem sido o foco da companhia, que está priorizando a redução de riscos”, explicou o executivo da Petrobras.

O bloco foi licitado na Rodada 2, da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), e o consórcio vencedor reuniu Petrobras (65%), BG (25%) e Petrogal (10%). Atualmente, inclui a Shell, após a compra da BG pela operadora anglo holandesa.  Ao todo, o campo de Lula tem 133 poços que produzem 829 mil barris por dia.

“Esse consórcio produz o nível de produção de um país como a Colômbia, e ainda não terminamos o desenvolvimento. Já atingimos 1 bilhão de barris. Esperamos chegar a 1 milhão de barris por dia. Temos pelo menos mais duas décadas de uma história de sucesso para contar”, destacou Pedroso.

O campo de Lula possui ainda área de Iara, onde foi perfurado o poço com recorde mundial em espessura, com 580 metros, em consórcio com a francesa Total. Durante o almoço-palestra na Rio Oil & Gas, Arnaud Breuillac, presidente de E&P da Total, falou da relevância do pré-sal brasileiro para o portfólio da companhia, que se tornou, neste ano, a primeira operadora da região, com a aquisição do campo de Lapa.

“Esperamos aumentar significativamente a produção de barris de petróleo equivalente por dia nos ativos da Total no pré-sal brasileiro até 2022. Avaliamos que a exploração em ultraprofundas, seja no Brasil ou em outras localidades do mundo, é extremamente competitivo”, afirmou Breuillac.

Desenvolvimento Onshore

Além do pré-sal, a Rio Oil & Gas abriu espaço para discussões sobre o desenvolvimento das bacias terrestres. Em painel no Fórum Onshore, o secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, João Vicente, chamou atenção para o potencial e a necessidade do desenvolvimento de campos maduros no país.

“O país tem um potencial gigantesco e não pode se furtar de desenvolver esses recursos ou pelo menos debater se vai desenvolver esses recursos. Um ponto fundamental para o desenvolvimento da indústria é o programa de desinvestimento da Petrobras. Outro ponto são as ofertas permanentes, que é uma oportunidade ímpar para os novos players com apetite ao risco e que conseguem mobilizar capital para risco”, informou.

O diretor da ANP, Dirceu Amorelli, pontuou que as ações da ANP são focadas na adequação da regulação de cada ambiente e em revitalizar o movimento de declínio acentuado dos Campos.

Refino

Nos últimos dois anos, a indústria de petróleo brasileira voltou a chamar a atenção e a atrair investimentos, criando a necessidade de se colocar na mesa discussões sobre as possibilidades para avançar a área de refino. Além disso, o segmento tem grande potencial no país, conforme destacou Arlindo Moreira Filho, gerente geral de programas de reestruturação de negócios do RGN na Petrobras, durante a sessão especial “Uma avaliação das oportunidades no segmento de refino do Brasil”.

“O Brasil é o sétimo maior consumidor de derivados de petróleo do mundo e a tendência é de crescimento, ao contrário de mercados maduros. Para atrair novos investimentos nessa área, no entanto, é preciso ações, como a garantia da estabilidade regulatória e fiscal, o combate a fraudes e a harmonização das cadeias de biocombustíveis e dos combustíveis fósseis”, ressaltou.

Sobre a política de preços de derivados, Décio Oddone, diretor-geral da ANP, foi enfático sobre a necessidade de maior transparência. “Hoje, não há transparência em como esses preços são formados. É essencial que os preços reflitam o mercado internacional e os custos de operação no Brasil para que seja possível atrair investimentos e gerar competição”, explicou. “Apenas um mercado aberto, dinâmico e competitivo, com pluralidade de agentes, possibilitará o aumento da produção doméstica e redução da dependência das importações”, acrescentou.

Atração e retenção de talentos

O futuro da indústria de óleo e gás, a necessidade de modernidade nas áreas de Recursos Humanos das empresas e a redução do interesse dos jovens em atuar na indústria também foi tema de debate nesta quarta-feira, na Rio Oil & Gas.

Tatiana Mey, estudante do MIT, apresentou uma visão internacional do cenário, e contou um pouco da sua experiência no exterior, fazendo uma comparação como Brasil. “Os jovens no Brasil acreditam que essa é uma indústria old fashion, ultrapassada e são imediatistas. Eles têm muita vontade de empreender e trabalhar em uma empresa que dê oportunidade de liderança, que realmente acredite na meritocracia”.

De acordo com a estudante, é possível notar que as empresas americanas desse setor estão modificando sua forma de se comunicar.  Tatiana ponderou que a indústria do Brasil está começando a se modernizar e citou a campanha “Além da superfície”, assinada pelo IBP, além da iniciativa em promover a Oil & Gas Techweek.

 A programação completa da Rio Oil & Gas pode ser acessada no portal www.riooilgas.com.br ou pelo App, disponível para download na Google Play ou na App Store.

Fonte: IBP