Mesmo sem pré-sal, rodada de petróleo da ANP atrai 71 empresas de 18 países

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 4 Abr (Reuters) – A 11ª rodada de áreas de exploração de petróleo no Brasil, que marca a retomada dos leilões após mais de quatro anos, atraiu o interesse de 71 empresas –maior número de interessados para um leilão que não envolve áreas de alto potencial do pré-sal, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira pela Agência Nacional de Petróleo (ANP)

O leilão, previsto para ser realizado em meados de maio, perde em número de interessados apenas para a 9ª rodada, com 74 empresas, que envolvia inicialmente blocos do pré-sal que acabaram sendo retirados pelo governo para serem licitados pelo modelo de partilha.

“Esperamos que a 11a rodada será um licitação de grande sucesso; já esperávamos por um grande número de empresas porque as áreas são atraentes”, afirmou o vice-presidente da consultoria Energia do Rio e ex-presidente da BG no Brasil, Luiz Carlos Costamilan.

A grande atratividade da rodada, que despertou interesse das maiores petroleiras de capital aberto no mundo, como ExxonMobil, Chevron e Shell, se deve a oferta de blocos na chamada margem equatorial, uma nova fronteira do petróleo com semelhanças geológicas de blocos bem-sucedidos na Guiana e costa oeste africana, segundo especialistas.

O Brasil é o país com o maior número de empresas interessadas, com 19 companhias, seguido pelos Estados Unidos, com oito empresas, do Reino Unido, com seis, e Canadá e Japão, com cinco empresas cada. No total, empresas de 18 países e três territórios ultramarinos submeteram documentação à ANP.

“É uma ótima demonstração de interesse no Brasil, que sempre foi muito atraente para as petroleiras… Mas mostra que o país perdeu tempo ao levar quatro anos sem rodadas”, afirmou o especialista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie).

Entre as brasileiras que entregaram documentação para participar da rodada estão a estatal Petrobras, a OGX, do bilionário Eike Batista, e a HRT. As duas últimas, porém, não deverão oferecer grandes lances, na opinião de especialistas e executivos, porque já estão focadas em campanhas exploratórias já existentes.

Na lista das estrangeiras interessadas estão também a Repsol Sinopec, BHP, BG e BP.

Duas empresas consultadas pela Reuters disseram que participarão do leilão, mas em consórcio com outras. O executivo de uma delas, que pediu para não ser identificado, disse que as novas áreas a serem ofertadas apresentam risco elevado de exploração, mas ponderou que “todas as bacias já foram de risco”.

A rodada vai licitar 289 blocos em 23 setores, totalizando 155,8 mil quilômetros quadrados, distribuídos em 11 bacias sedimentares: Barreirinhas, Ceará, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Tucano Sul, segundo a ANP.

Dos 289 blocos, 166 estão localizados no mar, sendo 94 em águas profundas, 72 em águas rasas, e 123 em terra.

Nenhuma das áreas ofertadas é do pré-sal -essas serão colocadas em uma licitação especial no mês de novembro de 2013, exclusiva para a região petrolífera com alto potencial produtivo.

INTERESSE MAIOR

As últimas rodadas foram as com maior número de empresas interessadas, desde o começo dos leilões em 1999, após o governo quebrar o monopólio da Petrobras.

O processo 9ª rodada, que recebeu o maior número de interessados, foi confuso pois o governo brasileiro retirou da licitação 41 blocos de elevado potencial de produção, depois que a Petrobras descobriu a maior reserva do país, no campo de Tupi, no pré-sal da bacia de Santos.

O aumento da relevância do pré-sal levou o governo a suspender as licitações, que não ocorrem desde 2008, por conta das discussões do marco regulatório do petróleo nos últimos anos, que foram realizadas dentro do contexto da descoberta das grandes reservas abaixo da camada de sal.

A 10ª rodada, que ofertou apenas áreas terrestres, despertou o apetite de 52 companhias.

Por Sabrina Lorenzi e Roberto Samora, do Valor