Mercado de gás mais dinâmico

O mercado de gás natural se movimentará no sentido de promover uma abertura e uma nova dinâmica ainda que o PL do Gás não seja aprovado neste ano. Prova disso são as chamadas públicas para contratação de suprimento promovidas pelas distribuidoras, além da oferta de capacidade pela TBG e do reposicionamento estratégico da Petrobras. A análise é da consultora Lívia Amorim, especialista em Energia, Petróleo e Gás pelo escritório de advocacia Souto Correa Advogados.

Ela disse  que, embora não tenha produzido ainda resultados práticos do ponto de vista de viabilizar um novo mercado ou marco legal do setor, o programa Gás para Crescer, promovido pelo governo entre 2016 e o ano passado, teve o mérito de abrir um espaço para discussões que antes não existia. Desta forma, os agentes conseguiram identificar quais são suas necessidades e começaram a projetar novas formas de atuar. “É um esforço sem precedente”, avalia ela.

A consultora avaliou que já existia um apetite por parte das empresas no mercado de gás mas que, pela falta das discussões, pouco caminhava. Conforme o programa foi avançando, o mercado iniciou um movimento por conta própria, diz ela. Apesar disso, ela lamenta que haja pouco espaço na agenda política para votação deste projeto, uma vez que o debate do setor energético acabou ficando concentrado na privatização da Eletrobras e de suas distribuidoras.

Recentemente, foram lançadas no mercado duas chamadas públicas de compra de gás por parte das distribuidoras: cinco do Centro-Sul do país e outras sete do Nordeste, que envolverão a compra de aproximadamente 18 milhões de m³/dia.

Já a chamada da TBG, que estava prevista inicialmente para meados deste ano, deverá ser realizada no fim de 2018, com o resultado sendo divulgado no primeiro semestre do ano que vem.

Ajustes no setor elétrico

Amorim diz ainda que para que o novo mercado de gás realmente possa se desenhar conforme o esperado, é necessário que o setor elétrico equacione seus próprios problemas para conseguir viabilizar planos a longo prazo. As termelétricas serão as responsáveis por ancorar o consumo do gás que virá do pré-sal, em um primeiro momento.

Fonte: O Petróleo