Empresa de Sergipe cria produto único no setor de petróleo e gás

elastômeroUma empresa sergipana criou um produto inovador para o setor de petróleo e gás. A Sigmarhoh do Brasil desenvolveu um elastômero resistente a todo o tipo de fluido de perfuração, que facilita a exploração e a produção. O elastômero é um tipo de material flexível usado nos componentes de vedação dos equipamentos de perfuração da indústria de petroleo onshore, que explora gás e petróleo em terra. Antes da inovação, eram necessários três modelos de elastômero, um para cada fase do processo de perfuração – agora, basta um.
Sandro Cesar Tojal Nunes, fundador da empresa, conta que o desenvolvimento do produto partiu da ideia de criar um elastômero que pudesse concorrer com a principal fornecedora desse equipamento no Brasil, a NOV (NationalOilwellVarco), que ofertava um tipo de elastômero para cada tipo de fluído de perfuração. “Como ela tinha tradição nesse mercado, nosso material precisaria ser mais eficiente do que o dela”, explica.
Segundo Nunes, o produto da Sigmarhoh apresentou melhor desempenho, com aumento de 20% a 30% da vida útil em comparação com os materiais tradicionais. Em junho de 2011, o caso da Sigmarhoh foi destaque entre as atrações apresentadas durante uma conferência de inovação e tecnologia realizada pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), pela prestação de serviços em testes de formação e em avaliações de poços de petróleo, que antes eram realizados exclusivamente por empresas estrangeiras, como a Halliburton e a Schlumberger.
O elastômero também é uma das 11 soluções de mercado induzidas pelo programa de parceria entre o Sebrae e Petrobras Rede PetroGás Sergipe. A coordenadora Nacional de Carteira de Petróleo, Gás e Energia do Sebrae, Eliane Borges, explica que o convênio com a Petrobras foi selado em 2004. O objetivo do programa era inserir, de forma competitiva, micro e pequenas empresas na cadeia produtiva de petróleo, gás e energia.

Para qualquer tipo de lama

 A Petrobras e o Sebrae apoiam 18 redes de empresas do setor de petróleo e gás em 15 estados, articuladas para atender às demandas de empresas-âncora. A primeira rede a ser trabalhada pelo convênio foi a de Sergipe, que contribuiu com o projeto de vedações especiais da Sigmarhoh. Eliane conta que no primeiro workshop realizado no estado apareceram mais de cem demandas tecnológicas de grandes empresas, que poderiam ser atendidas com a participação de micro e pequenas empresas. “Fizemos uma triagem, e sobraram cerca de 60 tecnologias; dessas, 11 foram viabilizadas pela Rede PetroGás Sergipe”, explica. Graças ao programa, 11 demandas de grandes empresas foram supridas por tecnologias ou processos inovadores desenvolvidos por micro e pequenas empresas, dentre elas as Sigmarhoh com o seu elastômero.
“A empresa [Sigmarhoh] começou aprimorando elastômeros que já existiam no mercado e, no final, acabou desenvolvendo um produto que serve para qualquer tipo de lama. Isso não existe no mundo”, completa Eliane. Nunes conta que conheceu a Rede PetroGás Sergipe em 2005. “Com as ações do Sebrae e da Petrobras, conseguimos crescer três anos em um”, avalia. Foi por meio desse convênio, completa, que a Sigmarhoh implantou certificados de qualidade e ampliou seu contato com outras empresas através de feiras nacionais e internacionais.
Segundo Nunes, o desenvolvimento do elastômero levou um ano e contou com o investimento de R$ 100 mil reais, “entre pesquisas, máquinas, equipamentos, matéria-prima, testes de campo e mídia publicitária”. Para ajudar no desenvolvimento da peça, a empresa contratou o estagiário Thiago Fontes, que estudava Química Industrial na UFS (Universidade Federal de Sergipe).Depois de formado, Fontes foi encaminhado para maior centro de estudos em borracha do país, o Cetepo (Centro Tecnológico de Polímeros), localizado na cidade gaúcha de São Leopoldo. “Quando ele voltou, montamos uma minicélula de produção de elastômero, e conseguimos o resultado de desempenho melhor que o próprio produto importado. O ponto alto não foi ver que o elastômero foi resistente aos três tipos de lama, mas sim ter um desempenho operacional superior aos demais produtos do mercado”, lembrou Nunes.

Fonte:   / Jornal GGN